Tuesday, July 22, 2008

Parintins: Magia Pura

O Boi GarantidoEu nasci e fui criado em Manaus, no Amazonas, uma cidade que fica às margens do Rio Amazonas. Meus ancestrais são em parte nativos do Amazonas, em parte Européia, como grande parte da população Brasileira.

A cultura do Amazonas é riquíssima em lendas, contos, “causos”, em torno da floresta, dos animais, e de tudo derivado da cultura indígena nativa da região. Minha querida avó Olendina sempre contava histórias dos anos em que viveu no interior. O Boi Bumbá faz parte desse rico folclore.

“O ritual dos Bumbás mostra a lenda de Pai Francisco e Mãe Catirina que conseguem, com a ajuda do Pajé, fazer renascer o boi do patrão. Conta a lenda que Mãe Catirina, grávida, deseja comer a língua do boi mais bonito da fazenda. Para satisfazer o desejo da mulher, Pai Francisco manda matar o boi de estimação do patrão. Pai Francisco é descoberto, tenta fugir, mas é preso. Para salvar o boi, um padre e um médico são chamados (o pajé, na tradição indígena) e o boi ressuscita. Pai Francisco e Mãe Catirina são perdoados e há uma grande comemoração.” (fonte: Wikipedia)

Nos 9 anos que estamos morando nos EUA, as músicas (toadas) e letras dos boi-bumbá têm sido uma das melhores maneiras de nos mantermos conectados com a nossa cultura nativa. 2008 foi a nossa primeira vez visitando Parintins para assistir ao Festival Folclórico que acontece lá todo ano no ultimo fim de semana de Junho. Confesso que fiquei absolutamente embasbacado com a beleza de todo o festival, com altíssimo grau de refinamento, arte, e uma cordialidade impecável do povo Parintinense.

Fomos à Parintins de barco (e voltamos de avião, que são apenas 45 minutos de vôo de Manaus), pois todos os vôos já tinham sido esgotados, e arrumamos tudo de última hora (agradeço à minha querida cunhada Jordana que fez tudo para nós). Pegamos um barco expresso, que chegou à ilha de Parintins em 12 horas. O barco tinha o interior como o de um avião, com cadeiras alinhadas para os passageiros, diferente dos barcos regionais comuns ("motor"). Nosso serviço de bordo foi até bom, com direito a café da manhã, almoço e janta.



Chegamos à Parintins às 6 da tarde, quase início do Festival. Ficamos na galera (torcida) do Garantido, pois somos fãs há bastante tempo. A festa começou com uma ensurdecedora queima de fogos, seguida pela ópera a céu aberto que conta a lenda do boi bumbá, lendas da amazônia, das tribos, figuras regionais e por aí adiante. As fantasias - como as mostradas nesta foto - são verdadeiras obras de arte, fruto de linda criatividade e dedicação de todos que trabalham o ano todo no festival.



As alegorias são ainda mais de tirar o fôlego, cada uma trazendo seus personagens e dançarinos, com movimentos e danças, que juntamente com a toada do tema, os versos do amo do boi e a agitação e energia da galera (torcida do boi que está se apresentando), criam um espetáculo digno de qualquer metrópole mundial, e no entretando acontecem numa pequena ilha no meio do Rio Amazonas. Acho que isso assustou à equipe da TV Bandeirantes, que pela primeira vez transmitiu o festival na íntegra em rede nacional.

No Sábado, segundo dia do festival, pela manhã fomos andar pela cidade e pegamos um triciclo - uma bicicleta adaptada para carregar várias pessoas. Fomos ao Centro, ao porto, à feira abarrotada de lembranças de cada boi-bumbá. Algo que sobressaiu foi o ostensivo policiamento, presente em todos os lugares, "caprichosamente garantindo a segurança" como estava escrito em seus uniformes em alusão aos bois Caprichoso e Garantido. Nas arquibancadas os uniformes dos policiais seguiam as cores de cada boi, vermelho no Garantido e Azul no Caprichoso.

Na segunda noite jantamos antes do festival numa barraquinha de esfihas feitas na hora em frente ao bumbódromo. Fiquei impressionado até com o caixa do restaurante de esquina, dotada de computador. Olhando por trás do computador parecia tudo normal, até que olhei pela frente e notei que o "monitor" nada mais era do que o local onde a caixa guardava o dinheiro. Outro indício da criatividade Parintinense. Na foto a minha linda Juliane, ao lado do caixa do restaurante.


IMG_0753Na segunda noite do Festival, eu achei que o Garantido teve a melhor apresentação, ao contrário da primeira, onde o Caprichoso me pareceu o vencedor claro (cada boi se apresenta por 2 horas e meia em cada uma das três noites do festival). Eu devo admitir que o Garantido é claramente o dono do meu coração, com suas lindas poesias e toadas e uma galera de energia eletrizante. Deixo aqui o convite a todos os leitores para que façam uma visita a Parintins para experimentar essa linda festa. Realmente vale a pena, e muito. Termino aqui com uma montagem dos vídeos que fizemos durante as noites do festival. Fique à vontade para fazer quaisquer perguntas a respeito do festival e de como chegar lá.




View Larger Map

No comments:

Post a Comment